Embolia pulmonar o que é: conheça os sintomas, causas e a relação com a trombose

25/06/2026

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Dr. Daniel Augusto

Embolia pulmonar Trata-se de uma condição grave na qual um coágulo sanguíneo obstrui uma artéria nos pulmões, impedindo a passagem normal do sangue e comprometendo a oxigenação do organismo. 

Na maioria dos casos, o trombo se forma em uma veia profunda da perna (trombose venosa profunda) e viaja pela corrente sanguínea até os pulmões. Essa obstrução pode ocorrer de forma súbita e representa uma emergência médica que exige atenção imediata.

O exame Doppler vascular e a angiotomografia são ferramentas essenciais para identificar o problema precocemente, evitando complicações como insuficiência cardíaca direita ou morte. No Brasil, as internações por embolia pulmonar têm aumentado, refletindo a importância de conhecer os fatores de risco e os sinais de alerta.

Neste artigo, você vai entender o que é embolia pulmonar, a sua ligação direta com a trombose, os sintomas que não podem ser ignorados, os principais fatores de risco, como o diagnóstico é feito no pronto-atendimento e as opções de tratamento. Continue a leitura e proteja a sua saúde vascular.

Definição e gravidade: embolia pulmonar o que é?

O que é embolia pulmonar? É a obstrução parcial ou total de uma ou mais artérias pulmonares por um coágulo sanguíneo (trombo) que se desprende de outro local do corpo, geralmente das veias profundas das pernas. Quando o trombo chega aos pulmões, ele bloqueia o fluxo sanguíneo, reduzindo a oxigenação e sobrecarregando o lado direito do coração.

Essa condição é considerada uma emergência médica porque pode evoluir rapidamente para choque, insuficiência respiratória ou óbito. De acordo com uma pesquisa realizada pela Mayo Clinic, a embolia pulmonar ocorre quando um coágulo sanguíneo fica preso em uma artéria do pulmão, bloqueando o fluxo de sangue para parte do órgão.

A gravidade depende do tamanho do coágulo e da extensão da obstrução. Mesmo embolias menores exigem tratamento urgente, pois podem levar a complicações crônicas como hipertensão pulmonar. Dessa forma, ignorar os sinais pode custar a vida, e a rapidez no diagnóstico e no tratamento é decisiva.

A conexão direta com a Trombose Venosa Profunda (TVP)

A embolia pulmonar e a trombose venosa profunda são duas faces da mesma moeda: a doença tromboembólica venosa (VTE). O coágulo que causa a embolia pulmonar quase sempre se origina na TVP, principalmente nas veias das pernas ou da pelve.

O processo começa com a formação do trombo na perna. Se parte dele se desprende, ele viaja pela veia cava inferior até o átrio direito do coração. 

Do coração, o coágulo é bombeado para as artérias pulmonares, onde fica preso, bloqueando o fluxo. Essa “viagem” silenciosa pode acontecer em minutos ou horas, transformando uma trombose aparentemente localizada em uma ameaça pulmonar grave.

Por isso, tratar a trombose venosa profunda de forma adequada e precoce é a melhor forma de prevenir a embolia pulmonar. Já que quase todos os casos de embolia pulmonar se originam de uma TVP e os fatores de risco e o tratamento das duas condições são semelhantes, sendo frequentemente agrupadas sob o termo doença tromboembólica venosa.

Sinais de alerta: quando o corpo pede ajuda imediata

Durante um episódio de embolia pulmonar, o corpo envia sinais claros de que algo está errado. Os sintomas costumam aparecer de forma súbita e podem variar conforme o tamanho do coágulo e a saúde prévia do paciente. Entre os principais estão:

  • Falta de ar súbita, mesmo em repouso, que piora com o esforço mínimo;
  • Dor no peito que se intensifica ao respirar fundo ou tossir;
  • Tosse com sangue (hemoptise);
  • Batimentos cardíacos acelerados e sensação de palpitação;
  • Tontura, desmaio ou sensação de desmaio iminente;
  • Suor frio e palidez.

Por conta desses sintomas, a rapidez no socorro é decisiva. Quanto mais cedo o paciente chega ao pronto-atendimento, maiores são as chances de recuperação completa sem sequelas.

Fatores de risco: quem está mais propenso?

Diversos fatores aumentam o risco de formação de coágulos e, consequentemente, de embolia pulmonar. O histórico clínico do paciente guia a prevenção e a vigilância. Confira abaixo alguns dos principais:

Cirurgias recentes

Cirurgias ortopédicas (como prótese de quadril ou joelho), abdominais ou ginecológicas elevam o risco de TVP devido à imobilidade pós-operatória, lesão vascular e resposta inflamatória. O período de maior risco é as primeiras seis semanas após a cirurgia.

Imobilidade prolongada

Viagens longas de avião ou carro, repouso prolongado no leito ou hospitalização aumentam o risco de estase sanguínea. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o risco de tromboembolismo venoso aproximadamente dobra após viagens de quatro horas ou mais.

Uso de hormônios/tabagismo

Anticoncepcionais hormonais combinados, terapia de reposição hormonal e tabagismo promovem a hipercoagulabilidade. A combinação de hormônios e cigarro multiplica o risco, especialmente em mulheres acima de 35 anos.

O médico angiologista avalia o histórico completo do paciente para definir estratégias personalizadas de prevenção.

O diagnóstico preciso no pronto-atendimento vascular

O diagnóstico de embolia pulmonar exige rapidez e precisão. No pronto-atendimento vascular, o angiologista solicita exames de imagem que confirmam a obstrução e avaliam sua extensão.

A angiotomografia pulmonar é o exame padrão-ouro, oferecendo imagens detalhadas das artérias pulmonares. Já o Doppler vascular das pernas identifica a TVP de origem, que muitas vezes ainda está presente. A combinação dos dois exames permite um diagnóstico completo e seguro.

As tecnologias mais recentes, como angiotomografia com multidetectores, alcançam sensibilidade e especificidade superiores a 90%, tornando o diagnóstico mais preciso e reduzindo a necessidade de exames invasivos. 

O papel fundamental do diagnóstico por imagem é identificar o coágulo em tempo hábil para iniciar o tratamento imediatamente.

Abordagens de tratamento e recuperação

O tratamento da embolia pulmonar tem como objetivos principais dissolver ou estabilizar o coágulo, prevenir novos episódios e restaurar a função pulmonar e cardíaca. Dessa forma algumas das ações realizadas são:

  • Uso de anticoagulantes (heparina, enoxaparina ou anticoagulantes orais diretos) para impedir o crescimento do trombo e a formação de novos coágulos
  • Uso de trombolíticos em casos graves, para dissolver rapidamente o coágulo e desobstruir as artérias pulmonares
  • Realização do filtro de veia cava em pacientes com contraindicação a anticoagulantes, para impedir que novos trombos cheguem aos pulmões
  • Suporte respiratório e hemodinâmico quando necessário

O acompanhamento vascular após a alta é fundamental. O paciente deve manter o uso correto dos medicamentos, realizar exames de controle e adotar medidas de prevenção para evitar recidivas.

Conclusão: prevenir a trombose é proteger os seus pulmões

A embolia pulmonar é, na prática, uma complicação evitável da trombose venosa profunda. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos pacientes se recupera plenamente e retoma suas atividades.

No Brasil, um estudo ecológico registrou 81.152 hospitalizações por embolia pulmonar entre 2008 e 2019, com taxa de hospitalização aumentando de 2,57 para 4,44 por 100 mil habitantes (AAPC = 5,6%), embora a mortalidade hospitalar tenha diminuído de 21,21% para 17,11%. Esses números reforçam a importância da prevenção. 

Não espere os sintomas se agravarem. Agende agora mesmo a sua consulta no IACV. Se você apresenta fatores de risco ou sente qualquer sinal de alerta, procure um angiologista. Prevenir a trombose é, acima de tudo, proteger os seus pulmões e a sua qualidade de vida.

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